domingo, 14 de março de 2010

Historieta

Soletrar teu nome
contando estrelas
Despir os temores
Matar a fome.

Profunda e íntima
Revirar suas gavetas
Trem desgovernado
Sem dar a mínima

Conhecer teu travesseiro
Sentir-lhe o cheiro
Misturar suas roupas
Com as minhas poucas

Sem pressa,
Sentir somente
Esquecer promessas
De estrela cadente.

segunda-feira, 1 de março de 2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Divã




No fino do traço
Estranho contraste
Daquilo que diz

Reviro na mente
Te busco no mundo
Contente, infeliz

Timbre semelhante:
Espelha um instante.
Falsete ou farsante?

Vesti tua alma
Num outro corpo,
Desejo gigante.

Por trás da tua lente
O castanho dormente
Me conta que errando,
Eu quase acertei
Freud diria que sonhei.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CON_TRATO

Tenaz vem teu corpo sobre mim
Seios de argila em tua mão
Boca revira lingua carmim
Esfera e reentrância...vão.

Coisa vivida sobre lençóis e certeza
Sabe perfeito minhas dúvidas, recado
Sorve como algodão doce a pureza
Em ti, sou cortesã, ninfa e pecado.

O banho tomado, alecrim
Você de saída, suado
tudo acabando em(n)_fado
Terremoto em mim.

Voando Alto
Publicado no Recanto das Letras em 29/06/2009
Código do texto: T1673017

COITO (Dé Fernandes / Carla Lopes)



Untados de areia e mel
Estrela com caracol
Do céu que se faz dossel
Desprezam lua e sol

Estranhos julgam mal
Desdenha quem gostou
Da sede do casal
Do sal que transpirou

Pasmados entram no cio
Molhados de sensação
Invejam o coito vadio
Providos da tentação

Adoçam todo o mar
Plenos já são além
Saciados do amar
Que neles é refém

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pé na Estrada




Há muitos fantasmas por aqui
Fazem barulho, ruídos profanos
Há muito passado nesse presente
Não se deixam enterrar, insanos!

Mexem em tudo, reabrem feridas
Fantasmas de noiva, noviça e soldado
Nascem de novo a cada partida
Falam na cara, não mandam recado

Confusa caio em contradição
Desejo o novo, anseio seguir
Mas me pega o fantasma da tradição
Feito a mulher que vive a fingir

Se me vem o sucesso, há que se comemorar
Abrir os trabalhos, coragem e mãos a obra!
Mas me chega o fantasma de não se orgulhar
Contenta menina, com aquilo que sobra!

Cara de boba, parada no caminho
Encruzilhada, fim de estrada
E agora onde vou, se nada sobrou?
É longa viagem, junta a bagagem: Sua hora chegou.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Esperando Ulisses



Se não te vejo fica o desejo
Insiste em visitar, incomoda o peito
É fome na boca saudade do beijo
Precoce, recém nascido posto no leito

É presença forte, tem loucura latente
Mapeia, investiga e tortura sem doer
Energia constante, gozo ainda semente
Esperando gigante a terra romper


Temperatura constante, a dor latejante
de um sonho desfeito em noites de festa
Lágrimas invisíveis, peito ofegante
Aconchega em mim, ilusão honesta

Eu te recebo, dor, eu te recebo amor
Prometo te cuidar e querer bem
Te espero, há de chegar com esplendor
Então da minha cama te farei refém.